UM - O acolher.

Parece loucura, mas estou em Paris, o lugar é surreal.

Mesmo com a condição financeira incrível que meus pais têm, nunca saí do Brasil, sequer saí do estado em que nasci, São Paulo. Pensando bem, sequer saí da capital. Todas as vezes que meus pais iam viajar eu ficava com a Joana, uma senhora muito boazinha que cuidou de mim até seus 90 anos, ela era incrivelmente doce, digo que se hoje sou o que sou foi porque ela me criou, não sei o que teria sido de mim sem ela, ela sim era uma mãe para mim, mas voltando ao ponto principal, nunca tive uma vida normal.


Estar aqui, sozinha, é assustador, devo confessar, mil euros no bolso, uma mala com poucas roupas e meu celular, que trouxe escondido. A primeira coisa que passa em minha cabeça é arrumar um jeito de voltar ao Brasil, mas quero ir para outro estado, longe dos meus pais, não quero voltar a viver a vida cheia de restrições que fui obrigada a viver, mas é impossível voltar ao Brasil com apenas mil euros, terei que me virar.

Como Deus é bom, cheguei de manhã em Paris, com sorte, consigo me comunicar usando o google tradutor, já que não sei nada em francês além de merci beaucoup.

Preciso de um lugar pra ficar, isso é inegável, também preciso de um emprego.

Primeira coisa que vem a minha mente é: procure no google por restaurantes brasileiros, e eu tentei fazer isso, até perceber que meu chip não funciona fora do Brasil. Penso e tento não entrar em desespero, pego o chip do meu celular e me direciono a primeira pessoa que vejo, aponto o chip e as pessoas olham pra mim pensando que sou louca, não julgo, se eu fosse eles faria o mesmo. Passei mais de uma hora fazendo isso e ninguém me entendeu, tentava falar em português, mas não deu certo. Penso então em voltar ao aeroporto e esperar por um voo chegando do Brasil para pedir ajuda. Vida, me dá uma forcinha dessa vez, por favor, penso caminhando até o aeroporto. 

Comecei a andar com pressa, com o desespero, sede e a fome começando a bater.

Quando estava prestes a entrar no aeroporto, esbarro com um cara.

Liz: Desculpa, viu. -disse em português, sem nem pensar.

Gael: Brasileira? Meu Deus, uma brasileira? Quer dizer, desculpa, calma. Prazer, Gael. -me estendeu a mão.

Liz: Não tô entendendo o que está acontecendo aqui, mas prazer, me chamo Liz. -apertei a mão dele- Você pode ser minha salvação. -disse assim que percebi o que estava acontecendo, a vida estava me dando uma forcinha.

Gael: Tô tão feliz de ter encontrado uma brasileira que faço o que você quiser. -riu e eu ri também. Contei resumidamente minha história pra ele, que prometeu me ajudar, falou que estava voltando de viagem, ele mora na França desde que completou 20 anos, atualmente tem 25, estava passando suas férias no Brasil, vendo a família, e que agora que estava de volta, estava alegre por ter encontrado uma brasileira, já que conhecia somente 3 brasileiros aqui, me chamou pra ir com ele pra casa dele, que lá ele iria me ajudar no que fosse preciso. Eu sei que é meio errado isso, mas aceitei, não tinha outra escolha, eu não tinha ninguém aqui. Se ele tentasse algo contra mim eu iria me defender, já havia assistido vários vídeos de auto defesa, ele não teria chances. 


O dia passou rapidamente e lá estava eu, na casa do Gael, acomodada em um quarto em sua super casa, ele no mínimo ganhava MUITO bem. Ele havia dito que sairia para resolver umas coisas e já voltava.

Já era noite quando ele voltou. Eu já havia tomado banho e estava saindo do quarto para me oferecer para cozinhar, quando ele apareceu com um chip na mão.

Gael: Tá aqui, o chip que você comentou que precisava. -me entregou.

Liz: Muito obrigada. -sorri- Quanto foi? -disse enquanto entrava no quarto para pegar o dinheiro.

Gael: Nada. Presente de boas vindas.

Liz: Não, por favor, me deixa pagar.

Gael: Liz, um chip custa muito barato, não vai me fazer falta, de verdade.

Liz: Tudo bem, posso me oferecer para cozinhar, então? Meu agradecimento pelo chip e pela estadia, que inclusive, vou querer que você me diga quanto custa pra ficar nesse quarto. Quer dizer, eu nem perguntei se posso, né… Se estiver tudo bem pra você, posso ficar aqui e pagar um valor? Só até eu encontrar um emprego e poder pagar uma casa para mim.

Gael: Liz, minha casa não é hotel. -gelei assim que ouvi essas palavras, tô ferrada- Portanto você não vai pagar nada, que isso… Pode ficar aqui o tempo que precisar.

Liz: Mas você acabou de dizer que sua casa não é hotel.

Gael: Quis dizer que você não precisa pagar nada, Liz. Minha casa tá sempre aberta para amigos, e apesar de termos nos conhecido agorinha, te considero uma amiga. Fica aqui a vontade, pode usar o que quiser, ficar o tempo que precisar, comer o que tiver vontade, essa casa também é sua agora. -meus olhos encheram de lágrimas e o abracei.

Liz: Obrigada. De coração.

Gael: Mas a oferta de cozinhar eu não vou recusar, sou terrível na cozinha, vivo de fast food.

Liz: Não sei como não ficou desnutrido ou anêmico.

Gael: Almoço bem, pra compensar. -estávamos na cozinha e eu preparei macarrão ao molho branco com frango desfiado, simples, mas era o que estava ao meu alcance, já que a geladeira dele estava cheia de besteiras como nuggets, hambúrguer, entre outros. Nada saudável.


Depois da janta, começamos a conversar.

Liz: Desculpa reparar, mas sua vizinhança parece ser bem de vida, na verdade você também parece.

Gael: Tive sorte ao achar essa casa aqui, a vizinhança do condomínio é bem disputada, principalmente depois que o Neymar chegou.

Liz: O Neymar? Neymar, o jogador? Ele mora aqui? -me mostrei muito surpresa.

Gael: Sim. -respondeu dando uma risadinha- Sempre gostei das casas aqui, meu trabalho me permitiu comprar, mas ficou mais difícil morar aqui depois que ele chegou. Vamos para o terraço, de lá consigo te mostrar a casa dele. -subimos o terraço e ele apontou para a casa em que o Neymar morava.

Liz: Uau, você é praticamente vizinho do Neymar.

Gael: É, não é fácil, viu… Ele é bem festeiro, para não ter problemas com a vizinhança, costuma convidar todo mundo quando vai fazer suas festas que terminam pra lá das 5 da manhã.

Liz: Uau… -fiquei um pouco pensativa com tudo aquilo- Posso te fazer uma pergunta, se me permite?

Gael: Vá em frente…

Liz: Você mora sozinho, certo? -ele assentiu- Por que morar só numa casa tão grande como essa?

Gael: Passei por poucas e boas na infância, eu e minha família, não tínhamos muitas coisas, passávamos dificuldades… Ganhei uma bolsa pra estudar aqui e consegui conquistar muitas coisas, comprei uma casa para meus pais no Brasil, apartamento, carro, envio para eles dinheiro todo mês para que tenham uma vida de luxo, minha vida mudou pra melhor aqui, ganho muito bem, tenho a vida que sonhei. Quando eu era pequeno, era fascinado por casas exatamente como essa que moro, assim que dei tudo de melhor para meus pais, lutei pra comprar essa casa aqui. Sei que não preciso, afinal ela é enorme e eu passo mais tempo no trabalho do que em casa, e sou só eu, uma casa só com um quarto, cozinha, sala e banheiro seria o suficiente. Mas realizei meu sonho e sou grato a Deus por isso, sou muito feliz por ter mudado minha história e de minha família. -seus olhos se encheram de lágrima, antes que a primeira caísse, ele a enxugou, sorriu e me olhou- Você tem sorte, amanhã terá uma festa na casa do Neymar, e como somos vizinhos dele, fomos convidados -eu ri.

Liz: Você é vizinho dele, não eu, cheguei hoje, tô aqui só por uns dias.

Gael: Então você é vizinha dele por uns dias, e se é vizinha, tá convidada pra festa, eu não vou perder e você vai comigo, não aceito não como resposta.

Liz: Tudo bem, eu topo -ele riu- mas com uma condição...

Gael: Diga.

Liz: Você precisa me levar para comprar uma roupa decente e eu que vou pagar. Fechado? -estendi a mão e ele apertou.

Gael: Fechado.







PRIMEIRO CAPÍTULO TA ON!!!

Espero que gostem.
Beijos, Juk.

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